
É possível prevenir a displasia do quadril em recém-nascidos?
12/03/2025
Vida após a displasia do quadril: O que esperar?
12/03/2025A displasia do quadril levanta muitos questionamentos e, frequentemente, é permeada por informações imprecisas. Entender a diferença entre o que é verdadeiro e o que é falso pode auxiliar pacientes e seus familiares a fazerem escolhas mais assertivas sobre diagnóstico e o tratamento.
Neste artigo você vai acompanhar a desmistificação de algumas concepções acerca da displasia do quadril. Continue lendo!

Desmistificando informações comuns sobre DDQ
“A displasia do quadril só acontece em recém-nascidos.”
Mito!
Apesar de a displasia do quadril ser comumente identificada em recém-nascidos, pode evoluir ou ser identificada mais tarde, até mesmo na fase adulta. Procedimentos como a ultrassonografia do quadril auxiliam na detecção do problema em bebês. Já nos indivíduos adultos, a dor no quadril pode indicar a presença de displasia, particularmente em situações de artrose precoce.
“Se não existe dor, não é preciso tratamento.”
Mito!
A falta de dor não indica que a articulação esteja em boas condições. Embora, algumas vezes, a displasia não apresente sintomas, ela pode resultar no desgaste do quadril com o passar do tempo. A intervenção antecipada pode evitar complicações mais sérias, como a demanda por uma prótese de quadril.
“A deformidade do quadril é resultado do modo como o bebê foi transportado ou vestido.”
Verdade em parte!
Apesar de fatores genéticos terem um papel relevante, práticas que apertam excessivamente as pernas do bebê podem favorecer a displasia em situações de predisposição. Portanto, é importante utilizar carregadores e vestimentas que mantenham a posição em “M” das pernas.
“O tratamento sempre requer cirurgia.”
Mito!
A abordagem terapêutica varia conforme a idade e a gravidade do problema. Em recém-nascidos, aparelhos como o suspensório de Pavlik têm a capacidade de corrigir a displasia sem a exigência de cirurgia. Em crianças e adultos, em situações mais graves, é recomendado procedimentos cirúrgicos.
“Atividades físicas podem provocar a displasia.”
Mito!
Exercícios físicos supervisionados por especialistas podem, de fato, contribuir para o fortalecimento dos músculos que circundam o quadril, proporcionando maior estabilidade e alívio de sintomas. É fundamental evitar excessos e procurar orientações personalizadas.
“É possível prevenir a displasia do quadril.”
Verdade em parte!
Não se pode evitar a displasia em todas as situações, especialmente quando existe um componente genético envolvido. Contudo, medidas como posicionar corretamente o bebê ao carregá-lo e realizar exames periódicos podem diminuir a probabilidade de complicações ou possibilitar um diagnóstico precoce.
Quais são os reais fatores de riscos para displasia de quadril?
Vários fatores podem influenciar a displasia do quadril. E reconhecê-los auxilia na prevenção de complicações e ajuda a diagnosticar precocemente.
Esses são os fatores de risco que mais estão ligados a essa condição:
Genética: Casos de displasia do quadril na família, como pais ou irmãos diagnosticados, elevam consideravelmente o risco da condição se manifestar. Isso sugere uma possível tendência genética.
Posição fetal: A posição do feto dentro do útero pode exercer pressão sobre a articulação do quadril. Os bebês que permanecem sentados no útero (pélvicos), principalmente no terceiro trimestre da gestação tem um risco maior.
Sexo feminino: O risco de displasia do quadril é maior em bebês do sexo feminino, devido à maior sensibilidade aos hormônios maternos, como a relaxina, que compromete a flexibilidade das articulações.
Primeira gravidez: Na primeira gestação, o útero pode ser menos adaptável, causando maior pressão sobre o bebê. Isso eleva a probabilidade de mudanças na articulação do quadril.
Macrossomia fetal: Crianças de maior porte ou que crescem rapidamente no útero podem encontrar limitações de espaço, o que pode prejudicar o desenvolvimento adequado do quadril.
Enfaixamentos (“charutinho”) ou carregadores (cangurus e slings) impróprios: Ações que mantêm as pernas do bebê muito unidas ou estendidas podem intensificar ou até provocar displasia em crianças com predisposição. É aconselhável o uso de carregadores ergonômicos que mantêm a posição natural das pernas, conhecida como “posição de sapinho”, para prevenir complicações.
Outras condições relacionadas: Certos problemas, tais como torcicolo congênito e deformidades dos pés, podem estar ligados à displasia do quadril. Geralmente, esses problemas surgem devido à posição do feto ou a mudanças no sistema musculoesquelético.
Se o seu bebê possui um ou mais desses elementos, consulte um pediatra ou um especialista em ortopedia pediátrica para realizar os exames necessário e efetuar um diagnóstico.
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Como é feito o diagnóstico de DDQ?
O diagnóstico precoce da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é fundamental para prevenir complicações a longo prazo. Os métodos mais comuns incluem:
- Exame físico do recém-nascido: Nos primeiros dias de vida, o médico realiza testes como a manobra de Ortolani e de Barlow para avaliar a estabilidade do quadril, identificando possíveis luxações ou deslocamentos.
- Ultrassonografia: Até os primeiros meses, é o exame de escolha por ser não invasivo e adequado para observar as estruturas do quadril em formação, antes da calcificação óssea.
- Radiografia: Indicada a partir dos 6 meses, quando o osso do quadril está mais desenvolvido, oferecendo maior detalhamento para confirmar o diagnóstico em casos suspeitos.

Qual a diferença e a relação entre fatores genéticos e fatores ambientais?
A displasia do quadril surge como consequência de uma complexa interação entre genética e ambiente. Embora não possamos modificar a predisposição genética, temos a capacidade de impactar de forma positiva os fatores ambientais. Assegurar assistência adequada desde o nascimento pode ser fundamental para prevenir e gerir a condição.
- Fatores genéticos
Condição herdada por genética de familiares próximos. Como por exemplo, sexo feminino e histórico familiar. Não é possível interferir em fatores genéticos, desse modo, o impacto preventivo é baixo.
- Fatores ambientais
Resultante de condições intrauterinas e práticas pós-natal. Como por exemplo, posição pélvica e uso de faixas apertadas. Já nesse caso, é possível interferir e prevenir agravamentos.
Geralmente, a displasia do quadril não é causada apenas por elementos genéticos ou ambientais isolados, mas pela relação entre eles.
Qual o impacto do uso de carregadores em bebês?
O crescimento adequado do quadril está ligado à posição das articulações nos primeiros meses de vida, época em que o corpo do recém-nascido ainda é bastante flexível. Os carregadores exercem um impacto direto, pois podem auxiliar na manutenção da posição correta do quadril ou, se utilizados de forma imprópria, podem levar a desalinhamentos e instabilidades.
Carregadores de crianças e a saúde do quadril:
- Carregadores ergonomicamente adequados
Carregadores com design ergonômico incentivam a postura de “sapinho”, a qual é a mais benéfica para o crescimento do quadril.
Na posição de sapinho os joelhos ultrapassam o limite dos quadris. Os joelhos ficam fletidos em um ângulo de cerca de 90°. O peso do bebê é igualmente distribuído na região do quadril e das coxas.
Esta postura promove a correto encaixe do fêmur no acetábulo e diminui os riscos de piorar uma displasia em pacientes propensos.
- Carregadores inadequados
Modelos que mantêm o bebê pendurado entre as pernas, sem apoio para as coxas, podem ser danosos. A concentração do peso corporal em uma área reduzida resulta em uma pressão inadequada nas articulações do quadril. As pernas ficam estendidas e próximas, em formato de “V” invertido, impendindo um bom alinhamento do quadril, o que é perigoso e pode contribuir para a displasia em recém-nascidos.
E as fraldas?
Muito já foi dito sobre se usar 2 fraldas na tentativa de se tratar casos de DDQ, esse foi um método conhecido como Método de Klisic, onde uma fralda engomada era colocada entre as pernas do bebê, mantendo-as levemente dobradas e abertas. Com isso, observou-se uma mudança significativa na incidência da doença.
Quando as fraldas industrializadas passaram a ser utilizadas, o conceito foi adaptado, usando duas fraldas para tentar manter a posição das pernas.
Entretanto, estudos recentes demonstram que na maioria dos casos isso não funciona porque as fraldas não conseguem manter uma posição articular que leve ao desenvolvimento correto do quadril. Dessa forma, nós não aconselhamos o uso de múltiplas fraldas nos bebês.
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O Caqui é especializado no diagnóstico e tratamento da Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) em crianças e adolescentes. Com o apoio de tecnologia de ponta e uma equipe altamente qualificada, oferecemos um atendimento de excelência, priorizando a saúde e o bem-estar dos nossos pequenos pacientes. Nossos especialistas estão preparados para identificar e tratar a DDQ com precisão, garantindo soluções personalizadas para cada caso. Nosso compromisso é proporcionar ao seu filho um futuro saudável e ativo, combinando tratamentos eficazes com um ambiente acolhedor e humanizado…



